sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O quarto.


 5 minutos, seguido de 10, intercalado de 12. Acordei, aspirei, morri. O quarto era gelado e as paredes passavam uma certa frieza se encaradas por algum tempo. Ao lado esquerdo a cabeceira amarelada, marcada com um 212 na parte de baixo, o qual eu podia ver quando minha cama era rebaixada significantemente em uma parte e eu era colocado de bruços para que meus órgãos pudessem trabalhar melhor. Do lado direito, 5 mesas mal distribuídas de tamanhos e formas diferentes e em cima de cada uma variedade de medicamentos, copos, lenços e aparelhos dos quais eu não me recordo. 
 O lençol era velho e gasto, suas extremidades estavam desfiando e isso fazia com que minhas pernas coçassem conforme ele era colocado sobre mim. Sem televisão, sem rádio. Apenas um quadro com 3 formas triangulares em progressão. Um azul degrade se espalhava entre os espaços dos triângulos, formando formas estranhas e abstratas. O pior quadro da minha vida, as piores cores da minha vida. Agora não há mais lençol, medicamentos, cores desagradáveis e números. A única coisa que me preocupo é se minhas mãos e pés voltarão ao normal, apesar da cor roxa ser uma novidade e me agradar bastante.

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